De olho na China: exportações para o gigante asiático salvam o caixa do empreendedor brasileiro
Criador do Blog Viagem de Negócios – André Bianchi, Empresário, Presidente do LIDE Panamá e Diretor de Relações Institucionais da Cámara de Comercio del Mercosur y Américas. Bianchi atua nos EUA, China, Israel e Panamá desde 20213 Linkedin André Bianchi | Instagram André Bianchi
Se o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos fechou portas para muitos negócios brasileiros, o mercado chinês parece ter aberto um janelão de oportunidades. Segundo dados do Icomex, divulgados nesta quinta-feira (18) pela FGV Ibre, a guinada nas vendas para a China foi o que segurou o desempenho da nossa balança comercial nos últimos meses.
Enquanto as exportações para os EUA despencaram 25,1% em valor entre agosto e novembro — reflexo direto das sobretaxas de até 50% —, as vendas para a China deram um salto de 28,6% no mesmo período.
O “Efeito Trump” e a Resiliência Brasileira – Exportação do Brasil para China
Para o empreendedor que exporta, o cenário mudou drasticamente em agosto. Se antes o volume de vendas para os americanos vinha em ritmo de crescimento (com alta de 13,3% em abril), a entrada em vigor das novas tarifas inverteu a curva.
“Trump superestimou a capacidade dos Estados Unidos em provocar danos gerais às exportações brasileiras”, destaca o relatório da FGV.
O motivo dessa resistência? A China hoje abocanha cerca de 30% de tudo o que o Brasil vende para fora. Esse peso do parceiro asiático serviu como um amortecedor para as perdas no mercado americano.
Setores em Alerta: Quem mais sentiu o baque nos EUA?
Se a sua empresa atua nos setores abaixo, o momento exige cautela e, possivelmente, uma diversificação de mercados. Veja as maiores quedas nas exportações para os EUA (ago-nov):
| Setor | Queda no Período |
| Extração de minerais não-metálicos | -72,9% |
| Bebidas e Fumo | -65,7% |
| Extração de minerais metálicos | -65,3% |
| Produção florestal | -60,2% |
| Produtos de metal (exceto máquinas) | -51,2% |
| Produtos de madeira | -49,4% |
A estratégia da soja e o papel da Argentina
De acordo com Lia Valls, pesquisadora da FGV, o fôlego chinês veio em grande parte da soja, que teve seus embarques concentrados neste segundo semestre. “Foi o momento em que a exportação para a China começou a aumentar mais, gerando impacto na exportação global do país”, explica. No acumulado do ano até novembro, o Brasil ainda registra alta de 4,3% nas vendas totais ao exterior.
Já a Argentina, nosso terceiro maior parceiro, apresentou um crescimento tímido de 5% em valor. Mas atenção, empreendedor: a Argentina foca muito em automóveis, um item que raramente enviamos para os EUA, o que significa que o mercado vizinho não serve como substituto direto para as perdas sofridas na América do Norte.
O que esperar para 2026?
O cenário político segue movimentando os negócios. O “tarifaço” de Donald Trump, que alegou proteger a indústria local (e citou questões políticas envolvendo o cenário brasileiro), começou a dar sinais de flexibilização.
No último dia 20, Trump retirou a sobretaxa de 40% sobre 269 produtos, a maioria do agronegócio, como carnes e café. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, embora a medida seja positiva, 22% das nossas exportações para lá ainda seguem sobretaxadas.
O recado para o empresário é claro: os efeitos dessa retirada de taxas só aparecerão nos balanços de dezembro e janeiro. Até lá, o foco total continua sendo o Oriente.


















